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BRICS e a derrocada dos Estados Unidos: Brasil e China navegando águas turbulentas juntos

Neste artigo de opinião, vamos refletir a respeito da recente carta do governo de Donald Trump ao Brasil, sobre as transformações na ordem internacional nas últimas décadas, e sobre a necessidade do Brasil de dar cada vez mais atenção à articulação com a China e com os demais membros dos BRICS em prol de um redesenho da estrutura de governança mundial a favor de seus interesses nacionais.

Em 10 de julho de 2025, Donald Trump anunciou, em uma carta oficial, a taxação de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos a partir de 1 de agosto. Nessa carta, houve citação direta ao tratamento que a administração Lula III (2023-hoje) está dispendendo ao ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de planejar um golpe de estado para reverter o resultado eleitoral ao final de 2022. Ademais, mencionaram-se as ações do Supremo Tribunal Federal (STF), a corte constitucional brasileira, a respeito do cerceamento de “liberdades” na atuação das grandes empresas de plataformas digitais de redes sociais (Meta, X, outras) no Brasil, no que tange ao espalhamento de notícias falsas e à suspensão e exclusão de perfis considerados disseminadores de tais notícias. Esse anúncio vem quase imediatamente depois da reunião de cúpula dos BRICS no Rio de Janeiro, realizada em 6 e 7 de julho.

A postura de Donald Trump II (2024-presente): plutocracia, antiglobalismo e beligerância

O presidente estadunidense Donald Trump inaugurou uma administração fortemente dependente do apoio dos “novos capitães” do capitalismo nacional: as plataformas de redes sociais digitais. Na seara da economia real, capitalizou o discurso de trazer “de volta” os empregos que foram terceirizados para países com mão de obra mais barata (por razões de racionalidade econômica e estratégia de custos) nas últimas décadas. Essa retórica garantiu sua primeira vitória, e voltou mais inflamada e com nuances mais xenofóbicas na sua segunda e atual temporada na Casa Branca.

Donald Trump testou a estratégia de rompimento com a estrutura das relações comerciais dos Estados Unidos com seus parceiros México e Canadá já no seu primeiro mandato, dissolvendo o NAFTA (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio) e negociando o USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá). No seu segundo mandato, essa estratégia se exacerbou, e Trump transformou ameaças tarifárias em uma arma comumente utilizada para pressionar reorganizações de relações bilaterais a favor dos EUA (isto é, em teoria). O primeiro e mais óbvio alvo destas ações foi a China, país com o qual os Estados Unidos tiveram grandes dificuldades de extrair reações ou suscitar interesse em negociar. Após árduas negociações do segundo escalão de burocratas de ambos os países, as duas nações chegaram a um acordo recentemente. Agora, o alvo desse instrumento político passou para o Brasil, a União Europeia, o México, a Coreia do Sul e outros países, muitos aliados militares dos Estados Unidos.

Esta figura política conquistou altos níveis de confiança no segundo mandato por conta de sua passagem ilesa por investigações judiciais relacionadas à posse indevida de documentos públicos em propriedade privada, e seu papel na invasão e destruição do Capitólio por seus apoiadores quando perdeu as eleições em 2020-2021. Dessa forma, foi possível compreender que o sistema eleitoral, judicial e político dos Estados Unidos não é tão sólido quanto se imaginava décadas atrás, e a possibilidade de um líder, por mais abastado e apoiado por bilionários que seja, dobrar e remoldar o sistema a seu favor, outrora tão distante, agora é uma realidade.

Essa percepção de “O Estado sou eu” se traduziu em desmonte estatal, com o convite à entrada na Casa Branca do seu aliado bilionário e excêntrico Elon Musk e a “caça às bruxas” em departamentos estatais. Nesse aspecto, o caso mais significativo foi a praticamente completa interrupção do trabalho da USAID, agência de cooperação internacional dos Estados Unidos, responsável, entre outras coisas, pelo financiamento de distribuição de medicamentos para a AIDS em países da África Subsaariana. Em janeiro de 2025, Trump assinou sua segunda ordem de retirada dos Estados Unidos da membresia à Organização Mundial da Saúde (OMS), algo que já havia feito em 2020 (em meio à pandemia de COVID), revertido pela administração democrata seguinte.

A mesma visão do Estado a serviço de interesses econômicos e ideológicos da classe que se apoderou de suas instituições também incentivou o fortalecimento do ICE (U.S. Immigration and Customs Enforcement), departamento estatal que funciona como um caçador de imigrantes ilegais. Popular discurso populista de direita, o ódio ao estrangeiro tornou-se política de governo com a implementação de metas numéricas de deportações por dia, e do desmantelamento de proteções a imigrantes ilegais em situação vulnerável. O sistema de expurgo de imigrantes ilegais passou a afetar não apenas os indocumentados, mas também cidadãos estadunidenses de ascendência latino-americana e asiática, bem como usar de táticas cada vez mais explícitas de amedrontamento e intimidação, como agentes da ICE vestidos à paisana realizando “blitz” de imigração em cidades como Los Angeles – o que levou a protestos massivos recentemente. Interessantemente, estatísticas apontam que mais de 40% da mão de obra da economia dos Estados Unidos é composta por imigrantes, muitos indocumentados, o que denota que não há apego à lógica econômica nas ações desta administração federal estadunidense.

De volta à seara internacional, Trump deu continuidade às administrações anteriores (tanto democratas quanto republicanas) na política estadunidense de pressão e agressão a países não-alinhados no Oriente Médio, utilizando Israel, recentemente radicalizado por questões políticas internas, como braço direito. Em junho de 2025, quando a administração sionista ataca Teerã, a capital do Irã, uma metrópole de quase 10 milhões de pessoas, os Estados Unidos não apenas tiveram uma chance de exercitar seu músculo militar atacando três instalações nucleares do Irã e reafirmando seu alinhamento com o regime israelense, mas também de projetar-se como negociador de um cessar-fogo entre os dois países – que, na prática, foi provocado pelo amedrontamento da administração de Tel Aviv, cujo “Domo de Ferro” falhou repetidas vezes em deter mísseis iranianos e sofreu perdas de vidas e destruição em cidades importantes como Haifa.

Em resumo, o segundo mandato de Donald Trump combina apoio de grandes grupos capitalistas da nova economia digital nacional, uma grande força de modificar instituições políticas federais à sua própria imagem e discurso, uma intenção de desestabilizar a ordem institucional global criada outrora pelos próprios Estados Unidos, e de reafirmar os Estados Unidos como nação imprescindível no tabuleiro internacional. Com a instrumentalização da guerra de tarifas e dos expurgos a imigrantes em uma economia baseada em mão-de-obra estrangeira, Trump também demonstra o descompromisso com a economia real nacional, ferindo o poder de compra dos cidadãos, desorganizando cadeias de valor nacionais e internacionais bem estabelecidas há décadas, e transferindo a conta das suas ações para as classes menos favorecidas.

Quem tem medo do valentão? Da Pax Americana até hoje

American Progress, John Gast, pintura a óleo (1872)

Vamos refletir sobre o histórico recente da posição dos Estados Unidos no mundo, em contraste com os países dos BRICS durante o mesmo período.

Pax Americana: emergindo como grande vitorioso das duas grandes Guerras Mundiais (1914-1918; 1939-1945), os Estados Unidos não apenas enriqueceram fortemente com o esforço industrial para sustentar a máquina bélica durante as guerras, mas também moldando o tabuleiro mundial após o fim do período de guerras. Alemanha (apenas sua parte ocidental até 1990) e Japão, anteriores inimigos do bloco dos aliados, agora estavam submetidos a um regime de ocupação militar estadunidense através de bases militares, e seus novos governos foram desenhados à luz da grande estratégia estadunidense de “capitanear campeões”: investimentos massivos em reconstrução foram feitos nesses dois países, em troca do compromisso de não militarização – ambos países detêm “forças de defesa” que não são exércitos formais até o dia de hoje. Durante esse processo, os Estados Unidos construíram do zero, ou fortaleceram, diversas instituições internacionais com características de “governo global”, como a Organização Mundial do Comércio, a própria Organização das Nações Unidas, e o par inseparável Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional. Isto, aliado à nova realidade da queda da libra esterlina e ascensão do dólar estadunidense como moeda de referência para comércio e finanças internacionais, estabeleceu um período de “Pax Americana”, na qual a hierarquia internacional era clara – no Ocidente, quem mandava eram os Estados Unidos, e todo esforço político internacional deveria ser voltado para expandir esse sistema internacional e conter o avanço de ideias concorrentes, principalmente advindas do comunismo e dos países-baleia inimigos, a União Soviética e a China;

Transição (1974-1991) e Expansão (1991-2001): nas décadas que seguiram às guerras mundiais, os Estados Unidos apoiaram direta e indiretamente a reversão de cenários políticos em diversos países do Sul Global, quando esses cenários se constituíam como favoráveis a interesses antiamericanos. Aqui podemos citar dois casos: o Chile (1973) foi um caso extremamente bem-sucedido dessa política, com o bombardeamento do palácio presidencial La Moneda e a instauração de uma ditadura militar ultraliberal centrada em Augusto Pinochet, que governou até 1991; o caso do Vietnã, no qual os Estados Unidos fracassaram ao se envolverem diretamente para “virar a mesa” na disputa entre o sul capitalista e o norte comunista, e perderam não apenas muitos jovens em batalha, mas também geraram protestos nacionais contra a guerra e o nascimento de uma contracultura social fora dos padrões e normas da produção, expansão e acumulação de capital. Porém, as principais vitórias dos Estados Unidos nesse período foram outras. Primeiro, o reconhecimento da República Popular da China como “a China”, em detrimento do regime de Taipei na ilha de Taiwan, e o estabelecimento de relações comerciais com esse país em 1974, na visão de Washington foi uma vitória pois “reintegrou” a economia do maior país do mundo à ordem mundial, agora comandada claramente pelos Estados Unidos. Por outro lado, a queda do muro de Berlim em 1990 e a dissolução da União Soviética em 1991, após anos de desgaste e crescentes ineficiências em seu sistema planificado de produção econômica, foram dois episódios vistos como uma coroação da vitória dos Estados Unidos como líder da ordem mundial capitalista e liberal. O período entre 1991 e 2001 foi visto como um período de unipolaridade global praticamente inegável, com os Estados Unidos exportando sua cultura popular, sua manufatura e seus ideais para cada vez mais lugares;

Rachaduras nas paredes do império (2001-2009): O atentado terrorista de 11 de setembro de 2011 em Nova Iorque foi um episódio icônico na demonstração dos limites e fragilidades do império estadunidense. Rodeado por dois oceanos que proporcionam alto poder parador para ameaças militares tradicionais, a capital econômica do país mais poderoso do mundo à época teve dois prédios destruídos por um ataque terrorista realizado por alguns poucos indivíduos de diferentes partes do Oriente Médio, ressentidos com a atuação militar dos Estados Unidos em sua própria região e com a exportação cultural forçada de um modelo de vida conflitante com os princípios de diversas vertentes de pensamento no Islã. Inaugura-se aqui uma fase de grande paranoia estratégica, com recrudescimento do racismo na sociedade estadunidense, e ações militares desajeitadas no Iraque e no Afeganistão. Enquanto os Estados Unidos gastavam dinheiro e perdiam prestígio, a Rússia se reestabelecia como país, assentando-se nas ruínas nem tão destruídas da União Soviética; a China, ainda mormente rural e pobre, dava sinais de que seu crescimento econômico, sempre integrado à economia mundial, alçaria voos ainda mais altos; a Índia começava a entender seu papel de líder do Sul Global em fóruns internacionais e, após décadas de governos populistas e fechados à economia mundial, integrava-se a ela; e, por fim, um grande país latino-americano chamado Brasil, livre desde 1985 de uma ditadura militar apoiada diretamente por Washington, implementava um plano de estabilização inflacionária que seria internacionalmente estudado como caso de sucesso. Em 2008, com a crise do subprime imobiliário nos Estados Unidos, esses países conseguiram, de uma forma ou de outra, evitar o efeito devastador do alastramento da crise para o sistema financeiro e comercial mundial, apresentando crescimento econômico resistente ou, pelo menos, menores impactos do que o esperado nessa estrutura econômica global. Estavam aí as sementes de uma nova ordem mundial.

BRICS: Por que incomodamos tanto?

O BRICS foi oficialmente criado em 16 de junho de 2009, durante a primeira cúpula do grupo realizada em Ekaterinburgo, na Rússia. Esse grupo reunia um número seleto de países com características bastante únicas: grandes populações, vastos territórios, economias nacionais expressivas em suas regiões e em processo de crescimento, e políticas externas não alinhadas diretamente aos Estados Unidos. Este grupo contrastava, e contrasta, principalmente com o G7, clube internacional existente desde os anos 1970, composto dos Estados Unidos e de seus aliados mais próximos, coincidentemente as maiores economias do mundo.

Nos 15 anos entre 2009 até 2024, os maiores países dos BRICS mudaram substancialmente seus papéis no mundo, ampliando não apenas sua participação na produção econômica global, mas também sua influência em assuntos internacionais. A Rússia se reestabeleceu como potência militar e passou a tolerar cada vez menos os avanços da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em direção ao Leste europeu; enquanto isso, reestabeleceram uma rede de aliados no Sul Global (Síria, Irã, diversos países africanos) e demonstraram poderio militar e habilidade estratégica revertendo conflitos militares a seu favor, como na Guerra da Síria (2011-aprox.2020). Em 2010, a China superou o Japão em termos de produto interno bruto (PIB) nominal, após 40 anos de liderança japonesa no Leste Asiático, e através da sua presença e aderência às regras do sistema econômico internacional criado pelos próprios Estados Unidos, conseguiu projetar-se como destino ideal para abertura de plantas industriais e produção de manufaturados para empresas ocidentais, principalmente estadunidenses, pelas facilidades oferecidas nas ZEE (Zonas Econômicas Especiais) em sua costa e pelos baixos custos de contratação de mão de obra local. Em pouco tempo, a China tornou-se a irreversível “fábrica do mundo”. O Brasil, por sua vez, após estabilizar-se em termos institucionais e macroeconômicos com inflação sob controle e dívida externa liquidada, surfou habilidosamente no “boom” de commodities como minério de ferro, petróleo cru e soja, fornecendo importantes produtos da base da urbanização da população da China. A Índia também começou a decolar sua economia baseada em serviços, utilizando de instituições de ensino superior altamente focadas em ciências exatas, aplicando profissionais qualificados à construção de um parque de serviços de tecnologia da informação em Bengaluru, no Sul, e exportando o excedente para outros países desenvolvidos – não sem receber remessas internacionais de valor, é claro. Especialmente China, Índia e Brasil foram bem-sucedidos em levantar dezenas de milhões de pessoas da pobreza extrema, engordando suas classes médias.

Nos mesmos 15 anos, os Estados Unidos passaram por três grandes processos: a aceleração da concentração de renda, a intensificação de conflitos raciais e identitários na opinião pública e a ascensão do “Vale do Silício” e das plataformas de redes como novo baluarte econômico. A economia estadunidense mostrou uma tendência de concentração de renda após a crise do subprime em 2008; o índice Gini, que mede a desigualdade de renda de uma população, saltou de 40,6 em 2009 a 42,0 em 2024. Vale mencionar que mudanças significativas nesse índice, que vai de 0 (totalmente igualitário) a 100 (totalmente desigual), tendem a demorar gerações para acontecer. Ao mesmo tempo, a “nova corrida do ouro” pelo desenvolvimento de tecnologias ligadas ao digital e à internet aqueceram sonhos e ambições, reconfigurando a maneira como os Estados Unidos acumulam capital e integrando, com seu arcabouço de projeção cultural e tecnológica, toda a população mundial com acesso à internet às suas próprias plataformas. Aqui podemos citar o Facebook como a primeira grande plataforma digital de rede social dominante. Essas plataformas se tornaram um novo instrumento na política estadunidense de dominação global, à medida que a economia digital exigia o controle na produção e no acesso a dados de internautas para vender produtos e serviços a eles. Ao mesmo tempo, empregos tradicionais na indústria e em serviços ora despareciam, ora tornavam-se ainda menos bem pagos, em uma época na qual a distribuição de conteúdo via algoritmo (isto é, controlada diretamente pelas empresas mantenedoras das plataformas digitais em si) deu o ensejo a lutas identitárias. Essas lutas passaram a extrapolar o limite do mundo digital e formar movimentos, como o Black Lives Matter (2013), e permitir a organização de protestos massivos contra brutalidade policial sobre a população afro-estadunidense, historicamente escravizada e/ou reprimida de forma declarada.

Nos anos de 2023 em diante, consolidou-se o primeiro grande adversário das plataformas de redes sociais estadunidenses, já num cenário no qual essas redes dominam grande parte da formação de opinião pública e do consumo dos cidadãos globais. O aplicativo TikTok, versão internacional do Douyin, mantido pela empresa chinesa ByteDance, tornou-se o segundo aplicativo mais popular nos Estados Unidos, com seu modelo inovador de feed de vídeos e um algoritmo altamente responsivo a criadores pequenos. Em outras palavras, cidadãos estadunidenses já dedicavam mais tempo de tela ao TikTok que ao Instagram. Nesse aplicativo, que trazia o público internacional a interagir mais frequentemente com conteúdo criado por estadunidenses e vice-versa, passaram a viralizar vídeos demonstrando que os Estados Unidos apresentam um padrão de vida evidentemente inferior a alguns países da Europa, senão do próprio Sul Global, quando falamos do cidadão comum: sem assistência médica pública, sem direitos trabalhistas, sem educação pública, sem transporte público. Entendendo o perigo que esse contato provocaria à moral da população estadunidense a longo prazo, já em 2020 começaram conversas e ações públicas por parte do governo federal dos Estados Unidos sobre banir o aplicativo TikTok em território estadunidense. Neste ano, Donald Trump era o presidente.

Em paralelo a tudo isso, em 2023, na cúpula dos BRICS em Joanesburgo, África do Sul, o governo brasileiro propôs discussões a respeito da criação de um sistema de pagamentos alternativo à ordem global baseada no dólar estadunidense, mas também apoiada pela infraestrutura do sistema SWIFT de pagamentos internacionais, pelo uso do dólar como moeda de reserva internacional, e pela presença física nos Estados Unidos das mantenedoras de bandeiras de cartões e bancos intermediadores de transações internacionais. Lembremos que a existência desse sistema centrado no USD permite a operacionalização de sanções financeiras a líderes de governos opositores, como a Rússia, como resposta a ações contrárias aos interesses estadunidenses. Estava armado o cenário para a desdolarização mundial, que está em curso neste momento.

Em suma, os últimos 15 anos marcaram uma aceleração vertiginosa na redistribuição da polaridade econômica global a favor dos mercados do Sul Global, centrados nos BRICS, uma intensificação na intencionalidade desse grupo em reformar a ordem econômica mundial, e no crescimento de conflitos sociais e distributivos nos Estados Unidos. Como pano de fundo, a digitalização da vida urbana e a facilitação do acesso a informações de fonte propagadora descentralizada, no estilo “day in the life“, também permitiu que cidadãos dos mais variados tipos e origens no mundo entendessem melhor como funciona a vida em outros lugares, e dos imperativos que moldam suas próprias vidas. Muitos desses cidadãos passaram a perceber que os Estados Unidos não eram exatamente o símbolo da liberdade e prosperidade que pareciam ser até 2001, e estavam se distanciando dessas ideias e recorrendo cada vez mais ao poder bruto para manter-se relevante.

Por que pivotar para a Ásia é essencial agora?

Em frente a todos os movimentos descritos acima, torna-se essencial ter uma visão balanceada sobre os reais ganhos que o Brasil pode obter da reconfiguração da ordem mundial. Como país partícipe desse processo, é natural que ocorram atrito com os perdedores da festa, os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, está em curso um processo muito mais intenso de rearranjo de relações comerciais, financeiras e políticas entre Brasil e China.

A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009, e o maior investidor em termos de IED (investimento estrangeiro direto) desde 2010, com recordes sendo atingidos desde 2021. A presença chinesa no Brasil permitiu desenvolvimentos infraestruturais únicos em áreas estratégicas para a economia nacional, como petróleo e gás natural, energia elétrica e malha ferroviária. Em 2025, inaugura-se uma nova fase, na qual bens de consumo, serviços e marcas chinesas também ganham popularidade ou lideram preferência entre consumidores brasileiros (Huawei, Xiaomi, BYD, TikTok).

Em Ascensão e Queda de Grandes Potências, Paul Kennedy (1987) descreve o processo de “troca de bastão” entre potências como um ciclo de super expansão militar e declínio econômico relativo. Analisando o cenário global do presente, fica evidente que esse processo não apenas está em curso, mas está se acelerando sobremaneira com o segundo mandato de Donald Trump. É possível prever que os Estados Unidos se envolverão em cada vez mais conflitos militares em cenários nos quais conseguem sustentar o seu complexo industrial-militar em carnificinas longe de casa; os bombardeios do Irã de 2025 são um bom exemplo de como isso pode se construir. Outros países como Coreia do Norte, Belarus e Iraque, certamente continuarão na mira dos Estados Unidos quando for útil e necessário ingressar em novos conflitos para reafirmar pujança. Por outro lado, o crescimento econômico dos Estados Unidos na era das plataformas digitais e da superconcentração de renda em torno de bilionários está perdendo sua capacidade de ter um efeito “trickle down” significativo; pode-se prever também que o emprego de inteligência artificial para ganhos de produtividade com cada vez menos aplicação de trabalho humano também pode estrangular desenvolvimento social real, gerando bolhas e especulação.

Quando revisamos a história das relações bilaterais Brasil – Estados Unidos no contexto da Doutrina Monroe (“América para os americanos”, leia-se estadunidenses), vemos que nosso desenvolvimento econômico nunca foi totalmente dependente dos Estados Unidos, seja como via de investimento ou como parceria em comércio internacional. Com uma indústria nacional significativa e desenvolvimento tecnológico moderado, ao longo dos anos o Brasil construiu fortes relações comerciais com a Argentina, com diferentes países membros da União Europeia, com o Japão e com economias grandes do Oriente Médio. Isso permitiu diversificar de fontes de receita e dirimir o tamanho dos riscos de ações irresponsáveis dos Estados Unidos – algo que países latino-americanos como México e Chile não têm a possibilidade de fazer. Por outro lado, o histórico dos Estados Unidos de intervenção militar e política em países da América Latina é bem conhecido, dividido entre invasão direta (exemplo: República Dominicana em 1965), apoio a golpes (exemplo: Guatemala em 1954), presença militar (exemplo: Nicarágua entre 1912 e 1933), ações da CIA (exemplo: Operação Condor de repressão a elementos comunistas na Argentina, Paraguai e Uruguai). Em contrapartida, como já dito acima, a intensificação de relações do Brasil com a República Popular da China trouxe ganhos significativos ao Brasil em um curtíssimo intervalo histórico. A política de Pequim de não-intervenção em assuntos internos de seus parceiros econômicos impera nesse relacionamento bilateral, princípio este que também ressoa na política externa brasileira como um todo.

Conclusão: O que temos a perder?

É imperativo reconhecer que os eventos delineados na introdução não são incidentes isolados. Longe disso, tais acontecimentos servem como catalisadores imediatos e tangíveis de uma reconfiguração geopolítica e econômica global mais ampla. Eles expõem as tensões crescentes na ordem mundial, acentuadas pela postura antiglobalista e beligerante da segunda administração de Donald Trump, e simultaneamente sublinham a urgência da estratégia brasileira de pivotar em direção a blocos emergentes como o BRICS.

Seria tolo dizer que o Brasil não corre riscos nesse processo. O anúncio de taxação e a menção direta ao comportamento da corte constitucional de Brasília, embora siga padrões de remédios aplicados por Trump a outros países, pode sim gerar desbalanços econômicos a curto prazo e agitar tensões políticas internas ao Brasil. Por outro lado, uma alienação internacional completa certamente fecharia portas ao Brasil no que tange a alianças estratégicas com países aliados aos Estados Unidos, sobretudo na Europa, em outras áreas, como cooperação científica, militar e cultural. Por fim, a projeção de uma imagem de “pária internacional” na opinião pública internacional seria negativa ao Brasil, e causaria ainda mais estranhamento com a ideia do Brasil como locutor válido em fóruns internacionais.

Há de realizar-se uma análise multifacetada, no entanto, considerando seriamente os ganhos líquidos desse ardil. Se o projeto nacional do Brasil é tornar-se um país mais rico e igualitário do que é agora, com desenvolvimento industrial baseado em energia verde, capitaneando liberdades individuais enquanto se incentiva a resiliência de laços sociais, fortalecendo direitos cívicos e sociais e integrando à sociedade de maneira justa as populações historicamente menos favorecidas, o cálculo é mais claro. No entanto, se o conceito de desenvolvimento econômico for necessariamente medido em unidades anuais, com base somente em modelos estatísticos, taxas e porcentagens, muitas dessas histórias continuarão escondidas no cemitério social metaforicamente instalado abaixo do edifício da Bolsa de Valores de São Paulo.

Aprofunde-se

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  2. China slams US tariffs on Brazil, urges against interference in internal affairs, accessed July 12, 2025, https://www.aa.com.tr/en/americas/china-slams-us-tariffs-on-brazil-urges-against-interference-in-internal-affairs/3627971
  3. A look at the countries that received Trump’s tariff letters, accessed July 12, 2025, https://apnews.com/article/trump-tariffs-countries-letters-166230b4fa2be33ece1825322b34ff6a
  4. Trump tariffs goods from Brazil at 50%, citing ‘witch hunt’ trial against country’s former president, accessed July 12, 2025, https://apnews.com/article/trump-tariffs-eu-trading-partners-letter-958bafd5f28d600eb0dd55fa8e942f64
  5. Brazil’s former President Bolsonaro charged over alleged coup that included a plan to poison Lula – AP News, accessed July 12, 2025, https://apnews.com/article/bolsonaro-charges-formal-accusations-1751e6b6060ccfcc92d0e6d453650e0d
  6. Musk’s X Banned in Brazil – Lawfare, accessed July 12, 2025, https://www.lawfaremedia.org/article/musk-s-x-banned-in-brazil
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  10. US tariffs: Trump announces 30% duties for EU and Mexico; cites fentanyl crisis and trade deficits as the reason, accessed July 12, 2025, https://timesofindia.indiatimes.com/business/international-business/us-tariffs-trump-announces-30-duties-for-eu-and-mexico-cites-fentanyl-crisis-and-trade-deficits-as-the-reason/articleshow/122406441.cms
  11. Trump says 30-percent tariffs against EU and Mexico to begin on August 1 – Al Jazeera, accessed July 12, 2025, https://www.aljazeera.com/news/2025/7/12/trump-says-30-percent-tariffs-against-eu-and-mexico-to-begin-on-august-1
  12. Aileen Cannon is doing a good job, actually – Yahoo News, accessed July 12, 2025, https://news.yahoo.com/aileen-cannon-doing-good-job-130031209.html
  13. Interpreting Obstruction: The Capitol Riot & Donald Trump | Stanford Law Review, accessed July 12, 2025, https://www.stanfordlawreview.org/online/interpreting-obstruction-the-capitol-riot-donald-trump/
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  17. Trump Budget Bill Threatens Migrant Rights and Civil Liberties: Ugly Consequences of a Police State Agenda – WOLA, accessed July 12, 2025, https://www.wola.org/analysis/trump-budget-bill-threatens-migrant-rights-and-civil-liberties-ugly-consequences-of-a-police-state-agenda/
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  20. How Much Does Immigration Data Explain the Employment-Gap Puzzle?, accessed July 12, 2025, https://libertystreeteconomics.newyorkfed.org/2025/06/how-much-does-immigration-data-explain-the-employment-gap-puzzle/
  21. Immigrants in the U.S. Economy: Overcoming Hurdles, Yet Still Facing Barriers, accessed July 12, 2025, https://immresearch.org/wp-content/uploads/Final-National-Earnings-Ranges.pdf
  22. ‘Historically Successful’ Strike on Iranian Nuclear Site Was 15 Years in the Making, accessed July 12, 2025, https://www.defense.gov/News/News-Stories/Article/Article/4227082/historically-successful-strike-on-iranian-nuclear-site-was-15-years-in-the-maki/
  23. Is Israel’s famous Iron Dome failing against Iranian missiles? This report reveals a shocking reality – The Economic Times, accessed July 12, 2025, https://m.economictimes.com/news/new-updates/is-israels-famous-iron-dome-failing-against-iranian-missiles-this-report-may-explain-the-shocking-reality/articleshow/121929079.cms
  24. Is Israel’s Iron Dome Failing Against Iran? What Ex General Told NDTV, accessed July 12, 2025, https://www.ndtv.com/world-news/israel-s-iron-dome-under-pressure-after-iran-strikes-what-ex-israeli-general-said-8714965
  25. Consequences of the War on Terror and the Iraq War – Fair Observer, accessed July 12, 2025, https://www.fairobserver.com/podcasts/consequences-of-the-war-on-terror-and-the-iraq-war/
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